No mundo dos negócios, o tema do endividamento empresarial e as escolhas entre capital próprio e capital de terceiros geram frequentemente dúvidas e confusões entre investidores e empreendedores. Este é um tópico importante, e meu objetivo aqui é desmistificar os conceitos por trás das escolhas das empresas em relação ao financiamento e como isso impacta os investidores. Endividar a empresa é ruim para o acionista?

Capital de Terceiros vs. Capital Próprio

Em muitas conversas sobre finanças empresariais, é comum ouvir que o capital de terceiros, ou seja, a dívida, é mais caro do que o capital próprio. No entanto, esse equívoco é frequentemente resultado de uma gestão financeira deficiente, e há três motivos fundamentais para compreender por que isso não é necessariamente verdadeiro.

1. Menor Risco para Credores: Em caso de falência, os acionistas são os últimos a receber qualquer remanescente da empresa, enquanto os credores têm prioridade. Isso significa que os credores enfrentam um risco menor do que os acionistas.

2. Estabilidade no Fluxo de Caixa: Os credores têm um fluxo de caixa estável, com pagamentos previsíveis, enquanto os acionistas dependem dos lucros e distribuição de dividendos. Em situações de prejuízo, os acionistas podem até ser obrigados a injetar mais dinheiro na empresa.

3. Benefício Fiscal da Dívida: Os pagamentos de dívidas são considerados despesas financeiras e podem reduzir a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, proporcionando benefícios fiscais.

Portanto, o capital de terceiros é, teoricamente, mais barato que o capital próprio.

A Importância da Combinação de Fontes de Financiamento

A combinação adequada entre capital próprio e capital de terceiros pode reduzir o custo total de capital da empresa. Por exemplo, se o capital próprio tiver um custo de 20% e o capital de terceiros, 10%, ao incorporar dívida na estrutura de capital, o custo total diminuirá. Portanto, a estratégia financeira da empresa deve buscar um equilíbrio ideal entre essas duas fontes de financiamento.

Encontrando o Equilíbrio

Você pode estar se perguntando: se o capital de terceiros é mais barato, por que não usá-lo em 100%? E por que recorrer ao capital próprio se é mais caro? A resposta está no gerenciamento do risco financeiro. À medida que uma empresa aumenta sua alavancagem, ou seja, a proporção de dívida em seu capital, seu risco financeiro aumenta.

Atingir 100% de capital de terceiros é praticamente impossível, pois em algum momento, os credores se tornam relutantes em emprestar dinheiro ou cobram taxas significativamente mais altas, anulando qualquer economia de custos. O capital próprio, embora mais caro, não exerce pressão imediata sobre o caixa da empresa, pois não requer pagamento de dividendos em momentos de prejuízo.

A Busca pela Estrutura Ótima de Capital

A relação ideal entre capital próprio e capital de terceiros é o que os especialistas financeiros chamam de “estrutura ótima de capital”. Isso é alcançado quando a empresa atinge um ponto em que a adição de mais dívida resultaria em aumento dos custos dos credores e das expectativas de retorno dos acionistas, indicando um maior risco financeiro percebido pelo mercado.

Avaliando o Risco de Endividamento

A capacidade de uma empresa para se alavancar financeiramente está diretamente relacionada à sua capacidade de gerar caixa. Assim como um banco avalia sua capacidade de pagamento antes de conceder um empréstimo, uma empresa deve avaliar sua capacidade de gerar renda estável em relação aos pagamentos de dívida.

Em resumo, entender a dinâmica entre capital próprio e capital de terceiros é essencial para qualquer investidor. A escolha entre essas fontes de financiamento deve ser baseada na situação financeira e nas metas da empresa. Lembre-se sempre de que a estrutura ótima de capital é aquela que equilibra os custos e os riscos, buscando maximizar o valor para os acionistas.

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